sábado, novembro 22, 2014

Tenho de fazer um post sobre a detenção do Sócrates

Ontem à noite, Sócrates foi detido à chegada ao aeroporto de Lisboa para ser interrogado esta manhã. Então e porque é que o tinham de deter no dia anterior? Não podiam passar pela casa do ex Primeiro-Ministro logo de manhã?
Claro que as reacções à detenção não se fizeram esperar. Mas sabem o que me irrita mais nisto? É que sempre que eu ouvia alguém culpar o Sócrates pelo estado do País, sabia imediatamente que essa pessoa tinha uma cultura política de taxista. Se Sócrates for acusado (sim, ele ainda não foi acusado), julgado e culpado (sim, antes de ser declarado culpado, é preciso ir a julgamento e ser condenado... num tribunal... por um juíz), ninguém vai convencer esta gente que não podem apontar o ex primeiro-ministro como único responsável por esta crise financeira.
Ah... e eu não votei no Sócrates (pronto, só para que conste).
É que, depois deste aparato todo, depois da primeira detenção dum ex primeiro-ministro, se afinal de contas o homem for inocente, a (parca) credibilidade da Justiça Portuguesa desaparece de vez.
Mas, mesmo que isto aconteça, Sócrates será sempre culpado porque a justiça popular assim o entendeu. E a justiça popular entende sempre que o suspeito poderoso é culpado. Quando se fala do Sócrates então...
Ou seja, se Sócrates for inocente, toda a gente vai achar que se safou por ser ex Primeiro-Ministro e a Justiça em Portugal é uma palhaçada.
Se Sócrates for culpado, será culpado do crime que eventualmente cometeu e de tudo o que correu mal neste país desde a sua governação. O Governo de Passos Coelho ainda será recordado como a legislatura em que a corrupção foi combatida. Mesmo que o Governo não tenha nada a ver com a Justiça e mesmo que tenha sido dos piores Governos da Democracia. Há lá melhor bode expiatório que o Sócrates?

5 comentários:

Anónimo disse...

Inês,

Por favor imigre para longe. Já temos merda que chegue neste país.

É graças a pensamentos como o seu que este país está a saque desde o triste 25 de Abril de 1974.

Inês Oliveira disse...

Estimado Anónimo,
Quero desde já elogiar a sua coragem para deixar um comentário anónimo.
Permita-me ainda louvar o nível elevado do seu discurso e os seus argumentos bem sustentados pelos conhecimentos acumulados ao longo de anos de estudo e observação crítica da realidade política Portuguesa.
No dia em que as pessoas como eu emigrarem, o País estará entregue aos guerreiros do teclado, anónimos que com a sua falta de argumentos não farão mais que debitar palavrão já que a acefalia não lhes permite maior erudição (olha, rimei!).

Com Jeito e Arte disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Com Jeito e Arte disse...

Querida Inês,

Felicito-a pela oportunidade, educação e elegância na sua resposta a Anónimo.
É com inteligência que se reprovam estes, e outros comportamentos prosaicos.

Anónimo disse...

A menina rimou ! Que giro.

Não obstante, o uso se vocábulos mais cuidados empregues numa prosa pensada, não lhe trazem sumo algum ao seu raciocínio.

Se calhar assustei-a com o vernáculo empregue.
Lamento!

PORTUGAL, é feito desse mesmo vernáculo simples, discutido e aplicado, á frente de uma "mini" com a barriga encostada ao balcão.

É, graças a "pseudo intelectuais" onde a incluo, que este país está como está.

Assisto, desde há muito, ao aparecimento de "especialistas" como a menina. No final dos anos Setenta e durante a década de Oitenta foi por demais crasso.

Qualquer borrego, que aparecesse na televisão a "debitar" quaisquer discurso sobre qualquer tema, era um especialista. E por conseguinte, conseguia ganhar créditos e, por incrível, credibilidade.

Pronto, lá estou eu outra vez com o vernáculo....peço desculpa.

Poderia consigo dissertar, sobre o acumulado do conhecimento bem como do estudo e observação......enfim ! Diga lá, sentiu-se superior com aquilo que escreveu.

Ah pois é, chega agora aqui alguém e discorda do meu muito elaborado raciocínio. Vou já rematar.
E houve quem gostasse.

Vê-se bem a qualidade do mesmo só pelo título do blog.

As suas palavras, mansas; utópicas; incoerentes; ANTI-PATRIÓTICAS; enfim, jovens, não são erudição, são falácia de MAIS uma guerreira do teclado, que acha importante dar a conhecer a sua opinião.

Reitero o que anteriormente escrevi, imigre para longe, já cá temos merda que chegue.

Post Scriptum.

O meu nome é Jorge Rodrigues