sábado, dezembro 13, 2014

Civismo, versão 20.1

Estamos sempre a evoluir e tenho a nítida sensação que hoje somos mais civilizados que há 20 anos. Mesmo assim, posso sempre sugerir uns upgrades que nos facilitariam a vida:

- Encostem-se à direita quando estão parados nas escadas/tapetes rolantes para que as pessoas que vão mais depressa possam seguir pela esquerda. No Metro quase toda a gente faz isto e era bom que esta prática se alastrasse a centros comerciais ou quaisquer outros espaços públicos. Afinal, amigo não empata amigo.

- Na onda do amigo não empata amigo... Desamparem a loja no final da escada ou tapete rolante. Não fiquem parados sob pena de provocarem um choque em cadeia ou serem abalroados por quem não consegue sair das escadas ou tapete rolante.

- Sentem-se num espaço comum de restauração (como há nos centros comerciais) só e apenas depois de terem a refeição. Aproveito para contar uma história: no fim-de-semana passado, no Porto.come, as mesas eram corridas. Fui buscar um prego fantástico e sentei-me num lugar livre. Ao meu lado, com toda a fossanguice, senta-se uma senhora para ocupar o lugar enquanto o seu marido esperava na fila pela sua refeição. Entretanto, as pessoas que comiam ao meu lado acabaram a refeição e saíram. No lugar deles, sentou-se uma família com os respectivos pratos. A seguir acabei a minha refeição e saí. Onde eu estava, sentou-se um casal que já comia de pé. E, enquanto dois grupos de pessoas se revezaram, a senhora mantinha-se firme, a ocupar o lugar que só precisaria quando o seu marido saísse da fila que não parecia querer avançar. Ora se toda a gente se sentar apenas quando tiver as refeições e se levantar logo que as termine, a rotatividade destes lugares fica garantida e dá para todos nos sentarmos. Mas enquanto houver pessoas que ocupam uma mesa assim que chegam, esse lugar ficará ocupado durante mais tempo e quem chegou antes, se não tiver ocupado uma mesa também, não terá lugar para se sentar. Se toda a gente fizer o mesmo, rapidamente chegará ao ponto de não haver lugares para mais ninguém. E se não houver lugares para sentar, as pessoas não vão comer ali. E se as pessoas não comerem ali, não gastam o dinheiro naqueles restaurantes. E se os restaurantes não ganharem dinheiro, não podem pagar aos funcionários. E se não pagam aos funcionários, é porque estão falidos. E se estão falidos, fecham. E se fecham, há mais gente desempregada.
Resumindo, abancarem no centro comercial assim que chegam, para ocuparem lugar enquanto alguém vai buscar a comida, aumenta a taxa de desemprego. Parem com isso.

- Não furem as filas. Parece mentira mas ainda há quem o faça. É certo que já foi bem pior mas, de vez em quando, lá aparece alguém menos civilizado que tenta ser atendido antes dos outros que já lá estavam. Pior! Quando há uma fila de trânsito e um chico-esperto resolve ir pela berma. Apesar disso, tenho a impressão que em centenas de carros, deve haver só um que faz isto. Mas, e se houver algum veículo em marcha de emergência que precise efectivamente de usar a berma? Este apressado já estaria a atrasar quem tem muito mais pressa que ele!

É verdade que somos civilizados e há muito turista que podia aprender umas coisas connosco (ainda hoje ia albaroando um casal de turistas no final dumas escadas rolantes), mas só nos falta um danoninho para sermos mesmo exemplares.

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