sexta-feira, janeiro 09, 2015

Isto de opinar é muito difícil

O Gustavo Santos é apresentador de televisão e convenceu-se, a si e a muita gente, que é uma espécie de guru da auto-ajuda. Não, engano meu, é coach!
E até aqui, tudo certo.
Só que convenceu-se também que conseguia opinar sobre a actualidade. Pronto, é a liberdade de expressão. Até aqui tudo bem. Ele consegue opinar. Ele pode opinar. É a tal liberdade de expressão. Não consegue é formular um raciocínio lógico. Pronto... são limitações. Eu nunca conseguirei tocar piano... Cada um tem as suas limitações.
Então o Gustavo (que até é um rapaz simpático e tem muito jeito para apresentar o "Querido, mudei a casa"), veio dizer que a liberdade de expressão é muito gira mas não abusemos senão ainda somos baleados à força toda. Há que ter cuidado porque temos de respeitar todas as crenças, sejam as que forem, e não ofender ninguém.
Pois... mas se não pudermos ofender ninguém, não temos liberdade de expressão. E sim, isto também é válido para quem entender ofender os meus progenitores. Claro que depois temos liberdade para respondermos à ofensa, ignorarmos ou até acusar o ofensor de difamação e injúrias. Mas se limitarmos a liberdade de expressão, ela deixa de ser liberdade.
Só que o Gustavo acha que devemos permitir que o Sr. radical islâmico nos estabeleça limites porque não o queremos ofender.
Então com quem é que se pode gozar? Com os Políticos? Isso também é gozar com convicções alheias.
Podemos gozar com futebolistas, treinadores e dirigentes desportivos? Não porque eu sou Sportinguista e ofendem-me se imitarem a voz de bagaço do Presidente do meu clube!
Pronto, não há humor para mais ninguém. Se quiserem rir, vejam vídeos de cãezinhos a perseguirem a sua cauda. Ah não. Isso ainda pode ofender algum defensor dos animais mais radical. Ai de nós! Ainda levamos com um bloco de tofu na tromba! Ups, na cara. Tromba têm os paquidermes que são bichos imponentes e adoráveis. E acho que entretanto também ofendi os vegetarianos! Não acerto uma.
Mas como se não bastasse ter dito disparate, o Gustavo escreveu, de seguida, uma carta aberta em que se tenta justificar.
Foi pior a emenda que o soneto.
Em suma, o que acabou por dizer foi que os jornalistas assassinados andavam um bocado distraídos a ostentar a sua sátira! Toda a gente sabe que quando se anda por aí a mostrar que se tem uma sátira jeitosa, está-se mesmo a pedir para falecer às mãos duns radicais que não conseguem evitar sê-lo.
É que o terrorista são como as pessoas com Síndrome de Tourette. São tiques... Agarram nas armas e os dedos começam a ter espasmos no gatilho enquanto apontam o cano a um cartoonista... ou um polícia...

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