sábado, janeiro 24, 2015

Lei de Jante

Ontem, enquanto via o episódio do Parts Unknown em Copenhaga, descobri a Lei de Jante.
Já estive em Copenhaga e em Estocolmo mas, obviamente que sem privar com locais e fazendo só uma escapadinha de 4 ou 5 dias, não dá para conhecer a cultura escandinava suficientemente bem. Ficamos com uma ideia...
Sim, é verdade que basta entrar em Christiania para se perceber que estamos noutro mundo mas Christiania não é, de todo, o espelho de Copenhaga, quanto mais da Escandinávia.
Ora, voltando à Lei de Jante, trata-se duma norma informal com dez regras:

  1. Não pensarás que és especial.
  2. Não pensarás que estás no mesmo patamar que nós.
  3. Não pensarás que és mais inteligente que nós.
  4. Não acreditarás que és melhor que nós.
  5. Não pensarás que sabes mais que nós.
  6. Não pensarás que és mais importante que nós.
  7. Não pensarás que és bom em alguma coisa.
  8. Não rirás de nós.
  9. Não pensarás que nós nos importamos contigo'.
  10. Não pensarás que nos podes ensinar alguma coisa'.
Aparentemente, esta lei está implícita na cultura escandinava. Claro que o facto de serem Luteranos influencia tanto ou mais esta cultura. Terem uma população altamente educada também é capaz de ajudar. De acordo com dados da OCDE, 77% dos adultos entre 25 e 64 anos possuem o equivalente ao diploma de ensino médio enquanto que em Portugal, só 35% dos adultos entre 25 e 64 anos possuem o equivalente ao diploma de ensino médio. Ouch! Deve ter sido por isso que Salazar foi considerado o maior Português de sempre.
Ainda há uns tempos li um artigo (que agora não consigo encontrar) que defendia precisamente que os índices de corrupção mais elevados e consequente atraso económico estavam relacionados com a cultura católica que privilegiava o eu em função dos outros. Ou seja, em primeiro lugar estou eu, depois a minha família e só por fim estão os outros.
Nos países de tradição protestante, os outros vêm em primeiro lugar, depois a família e, por fim, o individuo.
O típico "chico-espertismo" tuga implica precisamente que o indivíduo se acha especial, mais esperto que os outros, logo melhor que eles porque acha que sabe mais e ainda se fica a rir dos burros que atropelou com o seu "chico-espertismo". Só que como já muita gente percebeu, este "chico-espertismo" acaba por ser um tiro no pé porque favorecer o clã através das cunhas significa frequentemente que a competência e os serviços prestados vão ser sacrificados. E como se sabe, a incompetência custa dinheiro... e não é pouco!
A evasão fiscal e a corrupção também nos custam muito dinheiro... a todos!
Mas sabem qual é o argumento para justificar que não aprendemos nada com os Escandinavos? Que esse pessoal se suicida à força toda. Se fosse tudo assim tão bom, não estavam sempre a matar-se. Isso é tudo muito giro mas eles não têm o nosso sol nem o nosso clima.
O facto da Dinamarca ser o país mais feliz do Europa não conta para nada. Feliz mesmo é que tem o nosso sol!

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