sábado, março 14, 2015

Quem quer vai... quem não quer, fica

Sabem quando dizem a alguém que vão viajar para fora do País e essa pessoa vos pergunta se conhecem bem Portugal? Sabem aquelas pessoas que nunca saíram do País porque dizem que preferem conhecer o nosso País antes de conhecerem outros?
Acho que toda a gente conhece pessoas que utilizam estes argumentos. E sempre que alguém usa este argumento, eu dou-me ao trabalho de explicar os meus:
- Sim, conheço bem o meu País porque tenho a sorte de ter família de diferentes distritos e porque temos um País pequenino. Mas, e se vivêssemos num País como o Brasil ou os Estados Unidos?  Ou na China?!? Com esse argumento, estaríamos condenados a nunca sair do País onde nascemos porque é tão extenso que nunca o conheceremos suficientemente bem;
- Porque é que somos obrigados a ver tudo o que há no nosso País antes de vermos outros? Há alguma cronologia de viagens obrigatória que temos de cumprir para não sermos julgados?
- Porque é que temos de conhecer Bragança antes de conhecermos Pequim? Será que conhecer Évora depois de irmos a Roma vai encolher o Templo de Diana?
- Sabiam que depois de visitarmos outros países, vemos o nosso doutro prisma e damos ainda mais valor ao que é nosso (porque é quase sempre mais bonito...)?
- Sabiam que esses argumentos vão ser esquecidos assim que entrarem num avião e rumarem a qualquer sítio longe daqui do belo rectângulo?
Sim, porque na maioria dos casos, quem usa estes argumentos não fala outra língua além do Português e não tem coragem de viajar sem falar uma língua estrangeira... e, azar dos azares, as viagens para o Brasil ou para Cabo Verde não são tão baratas como Paris ou Londres... Ou isso, ou têm pânico de andar de avião e este argumento, quase moralista, justifica o facto de não viajarem para o estrangeiro tentando incutir um sentimento de culpa a quem o faz.
A todas as pessoas que usam este argumento: não julguem os destinos alheios e pensem bem nas razões pelas quais não saem de Portugal. Não são obrigados a ir para fora, como é óbvio. Mas também não têm de julgar as pessoas que o fazem.

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